Eduardo Costa – Interior

Gosto de pisar na terra molhada,
Gosto de colher frutos no pé
Do céu estrelado e vaga-lume
Peixe de rio, igarapé
Gosto de acordar com passarinhos
Fazendo folia de manhã
De cheiro de mato e flor se abrindo
Bicho no cio, interior

Gosto de viola e violeiro
Ventania balançando a plantação
Namorar você o tempo inteiro
Nosso amor na noite escura é um clarão
No seu corpo o fruto doce da paixão

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Jander & Jardel – Eu era da roça

Eu era da roça mudei pra cidade
Mas trouxe a saudade entranhada no peito
Meu jeitão caipira o modo de falar
Não dá pra negar a raiz não tem jeito
Às 8 da noite eu deitava era cedo
Nunca tive medo do trabalho duro
As 5 eu já estava no curral suado
Com o leite tirado 100 litros do puro
Meu pai a essa hora todo empoeirado
Milho descascado quase tudo pronto
Mamãe coitadinha acordava na frente
Cafezinho quente já estava no ponto

Toda tarde eu ia no rio bem pertinho
Pegar uns peixinhos para comer com arroz
Na volta quem sabe um mutum de bobeira
Com minha cartucheira não tinha depois
Domingo na venda todo mundo estava
Era lá que eu dava uma de cantador
Bebia por conta não pagava nada
Ninguém me deixava porque eu era o cantor
Se eu pudesse um dia voltar ao passado
O cheiro do gado em volta do cocho
Meus bois de carro o marreco e o navegante
O meu cão turbante e o meu cavalo roxo

Eu não tive estudo não tenho diploma
É coisa que soma pra quem quer sossego
Meus calos nas mãos meu rosto envelhecido
Não é nem motivo pra me dar emprego
Lá minha palavra era uma assinatura
Na confiança pura, mas eu não reclamo
Aqui eu não tenho aparência de artista
No ponto de vista de quem é do ramo
Foi lá que aprendi ser o homem que sou
Nas voltas que dou ainda não conheci
Um lugar um mundo melhor do que aquele
Se Deus tem é dele não é nesse aqui

Aquilo que era vida de verdade
A felicidade era coisa constante
Eu nunca negava um favor a ninguém
E a gente também ganhava a todo instante
Eu nunca perdi a uma festa de reis
Todo dia 6 de janeiro eu sabia
Começava aos 25 de dezembro
Ainda me lembro a toada da folia
Também nunca ficava sem namorada
Sempre bem trajado eu andava na linha
No final do ano o sorriso era aberto
O lucro era certo essa é a vida que eu tinha

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Milionário e José Rico – Canto de Saudade

Mandei arrumar meu carro velho
Vai voltar rodar outra vez
Herança do meu velho pai
Que há muito tempo um presente me fez
Meu carro de boi meu velho se foi
Eu vou correr com você
Meu canto bonito vai soar no infinito
E este filho vai chorar de saudade outra vez
Me lembro quando em criança
Meu velho pai com seu caro de boi
E assim a minha infância se foi
Ficando somente a grande saudade
De tudo aquilo que não volta nunca mais

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Chico Rey e Paraná – A Entrevista

Estou pedindo, por favor, meus bons amigos.
Fiquem um pouco comigo com vocês quero falar.
Peço também que cada um puxe a cadeira não repare é de
madeira mais dá bem pra se sentar.
E acreditem que estou muito agradecido por terem me
concedida hora para me escutar
É uma prova de que todos que vieram certamente não
quiseram meu convite recusar.
Meus familiares no momento estão ausentes aos amigos e
parentes saíram para visitar.
Por muitas vezes sonhei com este momento porque meu
depoimento pode lhes interessar
Todos meus filhos criei com muito carinho e lutei
sempre sozinho pra lhes dar o que comer
E fiz de tudo para lhes dar tranqüilidade o caminho da
verdade eu mostrei para viver
Dei-lhes escola do primário à faculdade que foi na
realidade tudo que não pude ter.
E, no entanto por eles sou criticado, dizem que está
superado tudo que vou escrever.
Tudo que escrevo para eles tem defeito e me encontro
sem direito do passado reviver
Mais se esquece da viola de madeira que sustenta a
casa inteira temos que agradecer
Meus bons amigos vejam esta correção e vê se não tenho
razão de chorar como chorei e verifiquem estes os
discos estrangeiros que não tem um brasileiro a não
ser os que comprei, eu não suporto este som exagerado
que além de ser importado de que pais eu não sei, me
fere tanto estes discos forasteiro que foi pago com
dinheiro que na viola ganhei e se possível meus amigos
da imprensa tomem uma providência que lhes agradecerei,
de qualquer forma
meus amigos jornalistas agradeço
esta entrevista porque me desabafei.

 

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Goiano & Paranaense – Doutor do Sertão

O moço grã-fino aqui da cidade
Por escolaridade tinha formação
Já era formado em duas faculdade
Mais os seus pais vieram do sertão
Nunca tinha visto sitio e fazenda
O monjolo, a moenda, riacho e espigão
Somente sabia por ouvir dizer
Plantar e colher era muito bom.

Seu pai lhe contou as historias da roça
Do rancho a palhoça onde ele nasceu
A terra meu filho só não era nossa
Mas tinha de tudo onde o papai viveu.
Qualquer dia desses eu vou te levar
E vou te mostrar tudo que era seu
Com muito carinho eu posso lhe explicar
Por que papai de lá não esqueceu.

Num final de semana velho convidou
Seu filho doutor como ele prometeu
Para visitar o lugar que nasceu
Na primeira infância onde ele nasceu.
Saíram cortando campinas e serras
Pros lado das terras onde o velho morava
As arvores floridas na beira da estrada
E a terra tombada com o chuvisco cheirava.

O cantar dolente dos passarinhos
Até parecia que os recepcionava
Uma juriti construindo seu ninho
E uma ciriema ao longe cantava.
A tarde perdia do so, o seu brilho
E os dois abraçados de emoção choravam
Ao ver a morada e o poço de sari
Ali pai e filho se emocionavam.

Ao cair da tarde a mãe natureza
Mandou a beleza e o filho acolheu
E ao surgir a manhã com o canto das aves
O doutor sentiu que ali renasceu.
Disse papai: a bem da verdade
Ninguém me ensinou sobre a felicidade
Eu nunca aprendi lá na faculdade
A grande lição que o senhor me deu.

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Bezerrão e Donizete – Porta do mundo

O som da viola bateu
No meu peito doeu,meu irmão
Assim eu me fiz cantador
Sem nenhum professor, aprendi a lição
São coisas divinas do mundo
Que vem num segundo a sorte mudar
Trazendo pra dentro da gente
As coisas que a mente vai longe buscar
Trazendo pra dentro da gente
As coisas que a mente vai longe buscar

Em versos se fala e canta
O mal se espanta, e a gente é feliz
No mundo das rimas e trovas
Eu sempre dei provas das coisas que fiz
Por muitos lugares passei
Mas nunca pisei em falso no chão
Cantando interpreto a poesia
Levando a alegria onde há solidão
Cantando interpreto a poesia
Levando a alegria onde há solidão

O destino é o meu calendário
O meu dicionário é a inspiração
A porta do mundo é aberta
Minh’alma desperta buscando a canção
Com minha viola no peito
Meus versos são feitos pro mundo cantar
É a luta de um velho talento
Menino por dentro sem nunca cansar
É a luta de um velho talento
Menino por dentro sem nunca cansar

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Tonico e Tinoco – Pé de Ipê

Eu nen sei que divinhava,
Quando anssim eu te chamava, de muié sem coração.

Minha vóis anssim queixosa. vance era a mais formosa, das cabocra do sertão.

Certa veis tive o desejo
de prová do mé do beijo, da boquinha de vancê.

Lá no trio da baixada, pertinho da incruziada, dibaxo do pé de Ipê

Mais o distino é traiçuero , e me dexô na solidão. Foi simbora pra cidade, dexano triste saudade, nesse póbre coração.

Quando eu passo a incruziada, inda visto o pé de Ipê, Inda canta o passarinho, que faiz alembra suzinho quele dia cum vancê

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