Valderi e Mizael – Olho de vidro

Soldados armados em grande batalha
Cobriam de sangue a terra alemã
Ali onde a morte era trunfo e vitória
Raiava mais uma sangrenta manhã
Seguiram as buscas ao grande inimigo
Soldados formados por um batalhão
E quando invadiam a velha ruína
Saiu um menino com as mãos para cima
Pedindo clemência e chamando atenção
Senhores soldados eu peço clemência
Me poupem a vida em nome de deus
Eu sou uma vida que está começando
Talvez salve ainda um filho dos seus
Meus pais e parentes também já morreram
Não há mais ninguém que me possa valer
Eu não tenho culpa se houve esta guerra
Nem que seja contra as leis de sua terra
Pelo amor de deus me deixem viver
E quando os soldados já estavam na mira
Ouviram a voz do senhor capitão
Vou dar-lhe um teste, uma chance de vida
Somente por sorte terá salvação
Não sabes que tenho um olho de vidro
Herança que a guerra também me deixou
Será o esquerdo ou será o direito?
Pois este transplante foi quase perfeito
Que em mais de 10 anos ninguém reparou
O pobre menino chorando assustado
Fitando o olhar do senhor capitão
Em meio a seu pranto falou a sorrir
Nem mesmo a ciência engana um cristão
Vou dar-lhe a resposta com toda a certeza
Entrego-lhe a vida se acaso eu errar
Seu olho direito é o de verdade
Que mostra um pouco de amor e piedade
Que o olho de vidro não pode mostrar

 

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Mococa e Moraci – Jardineira do adeus

Em mil novecentos e cinquenta e tres
as cinco da tarde de um dia qualquer
deixei minha terra em busca de um sonho
mas não por despeito de alguma mulher
a minha mãezinha me deu um abraço
senti que o pranto turvava-me a vista
adeus meu menino Jesus é teu guia
que sejas um dia um grande artista

E a jardineira partiu me levando
em busca daquilo que sempre sonhei
na ânsia incontida de ser um artista
as coisas mais lindas da vida deixei
talves eu não tenha chegado ao alto
mas creio que pude cumprir grande parte
se acaso me falta maior audiência
a sobrevivência já é uma arte

Feliz de quem tem a mãezinha a seu lado
a Deus agradeça e dê muito valor
porque essa falta da mãe é tão grande
nos enche o peito e alma de dor
e eu por exemplo vivendo distante
chorei muitas vezes pois vinham falar
que ouvindo os programas que eu participava
mamãe soluçava me ouvindo cantar

Passaram-se os anos mamãe despediu-se
porque já havia cumprido a missão
partiu desta terra no mês de setembro
levando consigo o meu coração
prossigo cantando pois ela gostava
embora eu sinta infelicidade
a doce presença de Deus acalenta
a bruma cinzenta da minha saudade.

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Tião Carreiro e Pardinho – Jogador de baralho

Conheci um moço pobre, honrado e trabalhador
Foi nascido e foi criado numa vila do interior
Veio para capital estudar pra ser doutor
Levado por maus amigos deu um grande jogador
Deixou o estudo e o trabalho com as cartas do baralho
Ganhou riqueza e valor

Casou com uma moça rica redobrou sua alegria
Na sua rica mansão tinha tudo que queria
Dominado pela vício toda noite ele saia
No cassino onde jogava só ganhava e não perdia
Enquanto o tempo passava sua riqueza aumentava
Do jogo não desistia

Mas tudo que vem ao mundo traz sua sina marcada
Numa noite ele jogou sua ultima parada
Se perdia uma partida a outra era dobrada
Foi jogando e foi perdendo chegou a ficar sem nada
Numa última defesa, pois a aliança na mesa
Jogou a mulher amada

Sua esposa quando soube o que tinha acontecido
Pra não se entregar a outro que não era seu marido
Foi embora pelo mundo com o coração ferido
Quem ganhou não leva ela mas o lar foi destruido
O jogador em desespero sem mulher e sem dinheiro
Transformou-se num perdido

Aquela rica mansão era igual um céu aberto
Hoje está tão solitária só tem tristeza por perto
O jogo dá também tira é um ditado muito certo
Aos amigos do baralho nesses versos eu alerto
Quem se julgar invencível por mais que seja incrível
Encontra um mais esperto

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Lourenço e Lourival – Relógio quebrado

Vou contar de uma passagem na vida de dois irmãos
Que vivia discutindo a respeito a religião
Jose que era o mais velho tinha sua devoção
Na hora de ele ir deitar fazia suas oração.
O seu irmão Dorvalino falava dando risada
Deixe de falar sozinho isso não lhe adianta nada
É melhor você dormir pra acordar de madrugada
Eu não vou perder o sono pra escutar conversa fiada.

Se você não acredita, não lhe obrigo a creditar
Mas que existe outro mundo pra você quero provar
Se um dia eu morrer primeiro e minha alma se salvar
Vou fazer-lhe uma surpresa que você não vai gostar.
Um dia José foi embora e pro seu irmão falou
Fique com este relógio lembrança de nosso avô
E nunca mais se encontraram e os anos se passou
O relógio desmanchado na parede ali ficou!

Certa noite o Dorvalino acordou meio assustado
Ouvindo aquelas batidas devagar bem compassado
Contou doze badaladas seu corpo ficou ripiado
Meia noite que marcava no seu relógio quebrado.
Passou a noite nervoso com o que lhe aconteceu,
No outro dia cedinho telegrama recebeu
Abriu pra ver o que era, seu corpo estremeceu
Dizia que a meia noite, seu irmão José morreu!

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Chico Rey e Paraná – Valsa dos 15 anos

Hoje é a festa dos seus quinze anos
Não fique assim chorando filhinha querida;
Quero lhe ver na sala dançando
E feliz festejando a data florida.

E claro a mãezinha não está presente
Mais no céu se sente orgulhosos de você
Hoje faz quinze anos que você nasceu
E nos braços meus sua mãe vi morrer

Quinze anos se passaram chorar já não convém
Em seu aniversário o pranto não faz bem
Enxuga suas lágrimas não chore mais filhinha
No céu a mamãezinha faz quinze anos também.

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Brenno Reis e Marco Viola – Inquilino de violeiro

Um rapaz com sua viola, vem chegando do interior
Com chapéu de boiadeiro e trajes de lavrador
Em um prédio de São Paulo, entrou no elevador
Também entrou uma moça igual um botão de flor
Achando a moça tão bela o rapaz falou pra ela
Quero ser o seu amor, ai, ai!!

A mocinha respondeu com um gesto indelicado
Para mim você não passa de um mendigo conformado
Você com essa viola é um caipira atrasado
Não tem onde cair morto e quer ser meu namorado
Só transo com gente nobre
Você é um rapaz tão pobre, não namoro pé rapado

O rapaz muito educado então disse pra menina
Ando com essa viola pra cumprir a minha sina
Mas sou muito caprichoso, só tenho prédio na esquina
Para mim você não passa de uma falsa granfina
Onde mora não é seu, esse prédio aqui é meu
Você é minha inquilina ai, ai!!

Me chame como quiser, de caipira ou de roceiro
Esse chapéu representa o troféu dos boiadeiros
Não largo dessa viola porque sou bom brasileiro
Atrasou seu aluguel, vim receber meu dinheiro
Cumpra melhor seu dever
Sinta orgulho de ser
Inquilina de violeiro ai, ai!!

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Sérgio Reis – João de Barro

O João de Barro, pra ser feliz como eu
Certo dia resolveu, arranjar uma companheira
No vai-e-vem, com o barro da biquinha
Ele fez sua casinha, lá no galho da paineira
Toda manhã, o pedreiro da floresta
Cantava fazendo festa, pra aquela quem tanto amava
Mas quando ele ia buscar o raminho
Pra construir seu ninho seu amor lhe enganava
Mas como sempre o mal feito é descoberto
João de Barro viu de perto sua esperança perdida
Cego de dor, trancou a porta da morada
Deixando lá a sua amada presa pro resto da vida
Que semelhança entre o nosso fadário
Só que eu fiz o contrario do que o João de Barro fez
Nosso senhor, me deu força nessa hora
A ingrata eu pus pra fora por onde anda eu não sei

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